Regulador de saúde do Brasil rejeita vacina russa contra Sputnik

O conselho de cinco membros da Anvisa votou por unanimidade pela não aprovação da vacina russa, após equipe técnica ter destacado 'riscos inerentes' e 'graves' defeitos, citando a falta de informações que garantissem sua segurança, qualidade e eficácia.

Sputnik V, vacina da Rússia, vacina covid da Índia, campanha de vacinação da Índia, notícias da Índia, Pune, expresso indianoIncluindo a Índia, 60 países já aprovaram esta vacina de duas doses, que usa uma plataforma semelhante à Covishield. (Foto: Reuters)

A agência reguladora de saúde brasileira Anvisa rejeitou na segunda-feira a importação da vacina russa Sputnik V COVID-19 solicitada por governadores de estados que lutam contra uma segunda onda mortal do vírus que está atingindo a maior nação da América Latina.

Os cinco membros do conselho da Anvisa votaram por unanimidade pela não aprovação da vacina russa após equipe técnica ter destacado os riscos inerentes e defeitos graves, citando a falta de informações que garantissem sua segurança, qualidade e eficácia.

Ana Carolina Moreira Marino Araujo, gerente geral de Vigilância Sanitária, disse que levando em consideração toda a documentação apresentada, dados adquiridos em fiscalizações presenciais e informações de outros órgãos reguladores, os riscos inerentes são muito grandes.

O Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF), que comercializa a vacina Sputnik V no exterior, rejeitou os comentários da Anvisa, dizendo que a segurança e eficácia da vacina foram avaliadas por órgãos reguladores de 61 países que aprovaram seu uso.

A decisão da Anvisa de atrasar o registro do Sputnik V pode ter sido motivada politicamente, disse a RDIF em nota. A RDIF lamenta as inúmeras tentativas de alguns países de se opor à vacina russa ... inclusive por meio da pressão sobre reguladores estrangeiros.

Um ponto crucial para a Anvisa era a presença na vacina do adenovírus capaz de se reproduzir, um defeito grave, segundo o gerente de medicamentos e produtos biológicos da Anvisa, Gustavo Mendes.

Cientistas russos dizem que o Sputnik V é 97,6% eficaz contra o COVID-19 em uma avaliação do mundo real baseada em dados de 3,8 milhões de pessoas, disseram o Instituto Gamaleya de Moscou e o Fundo de Investimento Direto da Rússia na semana passada.

O regulador da União Europeia, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA), está atualmente revisando a injeção e seu processo de fabricação, com uma decisão sobre seu uso prevista para maio ou junho.

O programa de vacinação do Brasil tem sido prejudicado por atrasos e falhas nas compras, transformando o país em um dos hotspots COVID-19 mais mortíferos do mundo este ano e levando o sistema nacional de saúde à beira do colapso.

Até o momento, 27,3 milhões de pessoas no Brasil, o equivalente a 13% da população, receberam a primeira dose, segundo dados do Ministério da Saúde.

O Brasil registrou 14,4 milhões de casos confirmados do vírus e quase 400 mil mortes desde o início da pandemia, há mais de um ano, grande parte nos últimos meses.