Especialista brasileiro em tribos indígenas mortas por flechas na floresta amazônica

Rieli Franciscato, um alto funcionário de 56 anos da agência brasileira de assuntos indígenas Funai, foi morto por membros de um grupo indígena em uma floresta tropical localizada no estado brasileiro de Rondônia.

Rieli Franc0iscato, 56, um oficial do governo e importante especialista em tribos isoladas da Amazônia é visto na floresta perto da reserva Uru Eu Wau Wau, no estado de Rondônia, Brasil, 21 de abril de 2019. (Reuters)

Um importante especialista em tribos isoladas na floresta amazônica foi morto depois que uma flecha o atingiu no peito enquanto ele se aproximava de um desses grupos indígenas em uma região remota do noroeste do Brasil. De acordo com testemunhas, ele morreu durante uma missão para monitorar e proteger a tribo isolada, informou a BBC.

Rieli Franciscato, um alto funcionário de 56 anos da agência de assuntos indígenas do Brasil Funai, foi morto na quarta-feira por membros de um grupo indígena em uma floresta localizada no estado brasileiro de Rondônia, informou um relatório do NPR. Franciscato foi originalmente enviado para a área para proteger o grupo vulnerável de ameaças feitas por estranhos.

O incidente ocorreu na orla da reserva Uru Eu Wau Wau, que foi repetidamente invadida e saqueada por madeireiros e mineiros ao longo dos anos. Ele gritou, arrancou a flecha do peito, correu 50 metros e desabou, sem vida, disse Paulo Ricardo Bressa, policial que o acompanhava na missão, em mensagem de áudio compartilhada online pela mídia brasileira.

Segundo Bressa, Franciscato havia subido um morro para ver se membros da tribo estavam passando pela floresta tropical. Ouvimos o barulho de uma flecha que atingiu seu peito, lembrou Ressa, de acordo com o relatório da NPR.

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A Kanindé Ethno-Environmental Defense Association, uma ONG fundada por Franciscato em 1992, disse que era muito difícil para a tribo vulnerável diferenciar entre amigos e inimigos do mundo exterior, informou a Reuters. Muitos acreditam que os membros da tribo podem ter confundido Franciscato com um invasor.

Sydney Possuelo, ex-colega de Franciscato, disse à Reuters que Rieli era um homem calmo, metódico, de fala mansa, que conhecia muito bem os perigos, mas estava sozinho e foi pedir à polícia que o acompanhasse. Possuelo afirmou que a tribo pode ter ficado alarmada com a presença de um policial.

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Durante várias décadas de sua carreira, Franciscato trabalhou em estreita colaboração com a Funai brasileira para estabelecer uma série de reservas para proteger os grupos indígenas dos países. No entanto, proteger a floresta e as muitas tribos que ela abriga tem sido ainda mais difícil nos últimos anos, dizem os especialistas.

Segundo Possuelo, o governo brasileiro liderado por Jair Bolsonaro pouco fez para ajudar os grupos ambientalistas que atuam na Amazônia. Bolsonaro tem pressionado repetidamente para integrar grupos indígenas na sociedade brasileira mais ampla, e até mesmo descreveu isso como vivendo como homens das cavernas.