O 'chefão' do genocídio de Ruanda morre na prisão de Mali: fontes

Theoneste Bagosora cumpria pena de 35 anos depois de ser considerado culpado de crimes contra a humanidade pelo então Tribunal Penal Internacional para Ruanda (ICTR).

O ex-coronel do exército ruandês Theoneste Bagosora se apresenta perante o Tribunal Criminal Internacional para Ruanda (ICTR) em Arusha, em 18 de dezembro de 2008. (Reuters)

Um ex-coronel do exército de Ruanda, acusado de ser o mentor do massacre de 800 mil pessoas durante o genocídio de 1994, morreu na prisão em Mali, disseram autoridades malinesas no sábado.

Theoneste Bagosora cumpria pena de 35 anos depois de ser considerado culpado de crimes contra a humanidade pelo então Tribunal Penal Internacional para Ruanda (ICTR). Sua pena havia sido reduzida de prisão perpétua. Está confirmado. Ele tinha mais de 80 anos, estava gravemente doente, com problemas cardíacos. Ele foi hospitalizado várias vezes e passou por três cirurgias. Ele morreu hoje em uma clínica, disse à Reuters uma fonte da administração penitenciária de Mali que buscou o anonimato.

Uma segunda fonte do Tribunal de Recurso de Bamako confirmou a morte. Os promotores acusaram Bagosora, então diretor de gabinete do Ministério da Defesa, de assumir o controle dos assuntos militares e políticos no país da África Central depois que o presidente Juvenal Habyarimana foi morto quando seu avião foi abatido em 1994.

O tribunal baseado na Tanzânia acusou Bagosora de ser o responsável pelas tropas e pela milícia Interahamwe Hutu, que matou cerca de 800.000 tutsis de minorias e hutus moderados em 100 dias.

O general canadense Romeo Dallaire, chefe das forças de paz das Nações Unidas durante o genocídio, descreveu Bagosora como o chefão por trás dos assassinatos e disse que o ex-coronel havia ameaçado matá-lo.